Análise por Bruno Galvão.
Fullmetal Alchemist é uma das séries de maior preferência pessoal. É uma obra engenhosa que representa com fantástica distinção o tom e a variedade que tanto caracterizam a animação japonesa, pelo menos numa das suas vertentes. Após conquistar tanto crÃtica como fãs, Fullmetal teve a sua mais do que óbvia entrada no mundo dos videojogos.
Na actualidade é natural quando uma série conquista enorme sucesso num determinado formato passar para outros formatos e Fullmetal Alchemist não é excepção, especialmente quando apresenta tanto potencial. Personagens espantosas e profundas, uma história intrigante e envolvente repleta em mistérios e dramas humanos são alguns dos elementos de relevância aqui e após alguns episódios certamente nenhum adepto do que de bom se faz no género lhe resiste.
Após a conclusão da primeira série, que optou por seguir um argumento original e diferente daquele criado pela autora Hiromu Arakawa, o espantoso estúdio Bones voltou a pegar na dupla de irmãos que protagonizam esta série, Edward e Alphonse Elric, para uma nova temporada desta feita num argumento fiel à banda desenhada original. Numa era na qual as companhias muito lutam para combater a pirataria, a nova série Fullmetal Alchemist: Brotherhood foi transmitida para todo o mundo com um espaço de meros dias em relação ao lançamento original Japonês e pôde ser vista de forma completamente gratuita em sites como o Youtube, por exemplo. Isto ajuda a explicar um mais célere lançamento Europeu do inevitável jogo da praxe que foi desenvolvido para acompanhar a série e dar em forma videojogável as aventuras vistas na televisão.
As responsabilidades ficaram a cargo da Namco Bandai, que nos tem vindo a oferecer grande parte dos jogos Naruto para a portátil Sony e tal como pretendido para esses jogos, aqui a Namco Bandai pretende oferece algo que realmente consiga colocar os jogadores dentro do universo dos irmãos Elric. Para tal a companhia decidiu que a melhor forma seria apostar num modo história que recupera os melhores momentos vistos na televisão tendo como apoio somente um modo para dois jogadores, via Ad Hoc que nos permite tanto lutar contra um outro jogador como lutar cooperativamente e ainda um modo que nos permite jogar livremente momentos já ultrapassados no modo história.
O modo história é mesmo o grande destaque e onde vamos passar a maior parte do tempo. Este modo pretende oferecer aos jogadores a oportunidade de viver de forma interactiva os grandes combates que viram na série animada mas também se assume como um modo com pouca inspiração e interesse. É certo que o produto é para os que já viram a série e como tal conhecem o argumento mas a forma como este é apresentado, através de texto sobre imagens paradas com apoio de voz (originais Japonesas) já não é propriamente um método recente e fresco. Parece um método em jeito de comodismo e que não traz qualquer brilho ao produto. Isto porque se já conhecemos a história e se somos forçados a ver o mesmo de novo sem qualquer dinamismo é tão simplesmente natural que o interesse rapidamente se dissipe.
Chegada a hora dos combates temos uma jogabilidade que pode ser descrita como algo estranho e que antes de ter tempo de se entranhar se torna em algo demasiadamente banal para ser atractiva a longo prazo. Com esquemas de ataque altamente repetitivos, demasiadamente cedo ficamos sem quaisquer novidades para incentivar e vencer os combates não passa por um exercÃcio de estratégia ou melhoria pessoal mas sim pelo método da tentativa. Isto porque os nossos personagens ganham experiência conforme combatem, podendo o jogador decidir livremente onde atribuir os pontos ganhos dentro de quatro parâmetros diferentes: ataque, defesa, velocidade e ataque especial.
A questão que cedo se coloca é se estamos perante um adversário realmente difÃcil para o qual devemos adoptar novo método de abordagem ou se estamos simplesmente perante um adversário com nÃvel demasiadamente alto, bastando simplesmente lutar para ganhar experiência. Inicialmente podemos ficar com a impressão de que o uso do dodge pode fazer com que os combates pendam a nosso favor mas como referido, não é uma questão de estratégia mas sim de nÃvel e de atributos. Isto faz com que os combates se assumam como monótonos e sem interesse a médio prazo, mesmo frente a inimigos de maior porte e especiais. Algo que é pena pois temos a oportunidade de conhecer melhor algumas histórias e de jogar com personagens que normalmente não seriam jogáveis.
Era óbvio que Fullmetal Alchemist: Brotherhood se destinava aos fãs que acompanharam a dupla Elric e restantes personagens. No entanto a licença parece ter sido tratada sem qualquer brilhantismo e tudo parece ter sido encarado de forma demasiadamente descontraÃda. Mais esforço era pedido e mais podia ter sido feito. É um jogo divertido mas apenas para um grupo restrito de devotos e peca por ter desejado apenas e só isso.








